As Tendências por Trás da Great Resignation

As Tendências por Trás da Great Resignation

A pandemia estimulou os funcionários a priorizarem seu bem-estar e a buscarem mais agência sobre onde – e quando – trabalham. Essa insistência em uma nova relação com o trabalho é um gatilho fundamental para a chamada "Great Resignation" (Grande Demissão) ou "Great Reshuffle" (Grande Reorganização). Estamos vivendo um momento no qual todos os líderes empresariais estão repensando seus modelos de trabalho, culturas e valores da empresa. Os funcionários, por sua vez, estão repensando não apenas como trabalham, mas por quê trabalham.

A Hyper Island fez uma série de pesquisas com sua rede e uma curadoria dos principais relatórios de talentos do mundo e levantou algumas das principais tendências para te ajudar a navegar neste novo contexto.

 

Cultura Human-centered

Os modelos culturais das empresas estão passando por um momento decisivo. Estão sendo remodelados pela pandemia, a aceleração da automação, a ascensão dos millennials e da geração Z na força de trabalho e a Great Resignation. Os funcionários estão exigindo – e muitas vezes obtendo – mais liberdade para trabalhar onde e quando quiserem e mais atenção ao seu bem-estar.

O Relatório de tendências globais de talentos do LinkedIn 2022 descobriu que os funcionários acreditam que o desenvolvimento profissional é a forma número 1 de melhorar a cultura da empresa. As empresas precisarão desvendar como, em meio a uma reviravolta épica na força de trabalho, podem preservar e aprimorar sua cultura em vez de vê-la se desgastar.

Para as empresas atraírem, reterem e desenvolverem talentos, elas precisam ajustar - ou reformular - sua cultura para atender às expectativas dos profissionais que desejam serem vistos como seres humanos em primeiro lugar. Uma pesquisa de 2021 do LinkedIn sobre o que mais importa para os candidatos a emprego em todo o mundo descobriu que um bom equilíbrio entre vida profissional e pessoal está em 1º lugar, seguido por excelente remuneração e benefícios.

"Já se foram os dias em que as empresas podiam liderar com vantagens - pense em mesas de pingue-pongue e lanches sem fim - projetadas para tornar o escritório um lar longe de casa. Hoje, as organizações com visão de futuro estão trabalhando com funcionários para tornar a casa um escritório longe do escritório." LinkedIn 2022

 

 

Tempo e espaço dedicados à aprendizagem

O aprendizado fortalece a cultura, e a cultura potencializa os funcionários engajados que são motivados a inovar e encantar os clientes. Diante das mudanças no cenário global, existe a necessidade das empresas e seus colaboradores adotarem um “novo sistema operacional de trabalho” que permita adaptabilidade, e adquirir competências técnicas e transversais em conjunto será importante para isso.

Mais do que nunca, as organizações estão incutindo uma mentalidade de aprendizagem ao longo da vida. A pandemia ressaltou a importância de um modelo de talentos baseado em habilidades e design de trabalho ágil na construção da força de trabalho do futuro. Essa é uma redefinição fundamental do papel de uma organização na construção de talentos, focado não apenas no reskilling/upskilling, mas também no aprendizado que alavanca os interesses dos funcionários, e exige que os líderes estejam prontos para abraçar trabalhadores que não têm formação e experiências típicas.

 

Case Udemy

O lema da Udemy é "Temos que dar espaço e permissão para aprender." Um bom exemplo de como a empresa coloca este mantra em prática é a iniciativa da Hora DEAL (Drop Everything And Learn - significa Largar Tudo e Aprender), que permite que todos os funcionários dediquem tempo durante o trabalho para aprender novas habilidades e explorar suas paixões.

É uma hora por mês para que todos dentro da organização larguem tudo e, junto com todos os outros, aprendam juntos. As pessoas podem aprender de forma independente, podem ler um livro ou podem usar a plataforma da Udemy. Eles distribuem prêmios, tem um canal no Slack dedicado aos cursos da Udemy que as pessoas estão fazendo, tentando incentivá-las a aprender sem ser prescritivo e de cima para baixo.

"Aprender é um músculo, um hábito a ser construído. Se você pode dar às pessoas espaço e tempo para aprender organizacionalmente, quando sua empresa está passando por algo difícil, como este ano (2021) com o COVID, as pessoas fazem aquele exercício muscular e dizem ok, estou pronto para aprender com isso. Como resolvemos isso por meio do aprendizado e como engajamos nossos funcionários para que eles possam levantar a mão e dizer o que está funcionando ou não. É tudo através da lente de encontrar conhecimento, aprimorar e trabalhar com algo com o apoio da organização." - SVP of People, Places, and Learning at Udemy, Cara Brennan Allamano

Leia mais sobre o case da Udemy neste artigo da Business Wire

 

 

Desenvolvendo habilidades corretas e necessárias

Em um mercado de trabalho mais automatizado, digital e dinâmico, independentemente do setor ou da ocupação, desenvolver constantemente as habilidades corretas é importante para se adaptar continuamente a novas formas de trabalho e novas ocupações.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 50% de todos os funcionários precisarão ser requalificados até 2025 à medida que a adoção da tecnologia aumentar. Fomentar uma mentalidade de meta-aprendizagem é fundamental para construir habilidades por demanda, assim como abordar as barreiras estruturais e legados de modelos de trabalho anteriores que não facilitaram uma abordagem baseada em habilidades para desenvolver, mover e recompensar talentos.

"Funcionários que sentem que suas habilidades não estão sendo bem utilizadas são 10 vezes mais propensos a procurar um novo emprego do que aqueles que sentem que suas habilidades estão sendo bem utilizadas." LinkedIn 2022

 

Economia circular de talentos

Muitos líderes veem o valor dos modelos de talentos baseados em habilidades para aumentar a agilidade dos negócios, mas temem que investir na construção de habilidades torne seus funcionários mais atraentes para os concorrentes. De acordo com o Estudo de Tendências Globais de Talentos da Mercer 2021, os funcionários são claros: enquanto o foco na construção de habilidades aumenta sua comercialização, investir em seu desenvolvimento realmente os faz querer ficar.

"Os investimentos em aprendizado nunca serão perdidos se as organizações adotarem o conceito de economia circular de talentos, onde o desenvolvimento de habilidades é contínuo e o talento é perpetuamente redistribuído de acordo com novas oportunidades e um ambiente de trabalho tecnológico/humano em evolução." Estudo de Tendências Globais de Talentos da Mercer 2021

A mobilidade de talentos dentro e até fora da organização faz parte de um fluxo saudável, já que existe a possibilidade de ex-funcionários se converterem em clientes, parceiros ou fornecedores. Permitir que os colaboradores se movam interna e externamente faz parte do compromisso contínuo de uma empresa de aprimorar não apenas seus funcionários, mas também a força de trabalho das nações em que opera.

"Henry Ford é creditado como tendo dito: a única coisa pior do que treinar seus funcionários e vê-los sair é não treiná-los e vê-los ficar”.

 

 

Energize a equipe

Hoje, “parceria” em vez de “liderança” pode ser a maior vantagem competitiva de uma empresa. As pessoas não querem mais trabalhar PARA uma empresa; eles querem trabalhar COM uma empresa. Mais de um em cada três executivos dizem que a pandemia os ajudou a perceber que seu investimento na saúde e no bem-estar dos funcionários gerou um retorno mensurável. (Estudo de Tendências Globais de Talentos da Mercer 2021)

A experiência do funcionário é a interseção das expectativas de um funcionário, seu ambiente (cultura, colegas de trabalho, líderes, processos, tecnologia, espaços de trabalho) e os eventos (trabalho e vida) que moldam sua jornada. Os funcionários anseiam por um futuro equilibrado — um onde o trabalho foi redesenhado para permitir tempo e energia para a família, hobbies, saúde e aprendizado também. A chave para liberar a energia coletiva é garantir que a transformação do negócio e a experiência de vida dos funcionários sejam consideradas em conjunto; É equilibrar produtividade e empatia. A energia é minada pela burocracia, tecnologia ineficiente, trabalho em silos e equipes reduzidas demais para acompanhar a demanda.

A energia pode ser reabastecida esclarecendo as formas de trabalho, abordando a complexidade organizacional e projetando um ambiente digital sem atritos. À medida que um repensar do trabalho está em andamento, a chave é continuar a capacitar os funcionários, reduzindo a complexidade, esclarecendo as expectativas e sendo honesto sobre a carga de trabalho.

Para finalizar no estilo Hyper Island, onde mais que respostas esperamos trazer você junto à reflexão, trago aqui algumas perguntas: o que mais te afetou deste conteúdo? Que insights você tirou do que leu até aqui? E o que pode começar a aplicar agora em seus projetos e vida?

O movimento da Great Resignation, como todos os outros, não é algo estanque e para qual existe uma receita pronta sobre como navegar por suas águas. Mais importante é estarmos abertos para observar, em nós mesmos e em nossas organizações, as mudanças que nos cercam e como podemos lidar com as transformações que com certeza virão.

 

Sobre a autora

Graduada em Comunicação Social pela PUC-Rio, possui especialização em Marketing pelo COPPEAD-UFRJ e mestrado em Digital Experience Design pela Hyper Island UK. Dedicou boa parte da sua vida profissional ao mercado corporativo, passando por empresas como americanas.com, RJZCyrela e Telefonica. Hoje faz parte da equipe de Remote Courses da Hyper Island.

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